Pesquisa paranaense com células-tronco aponta tratamento de pacientes com Covid-19

Pesquisa paranaense com células-tronco aponta tratamento de pacientes com Covid-19

Pesquisadores paranaenses buscam apoio econômico para iniciar aplicação clínica de células-tronco no tratamento da síndrome respiratória aguda grave

Pesquisadores da Universidade Positivo (UP), em Curitiba, desenvolveram um projeto inovador para o tratamento do novo coronavírus a partir de células-tronco. A iniciativa, que faz parte do Centro de Processamento Celular (CPC) da Curityba Biotech, busca alternativas para tratar pacientes com insuficiência respiratória grave, uma das complicações causadas pela Covid-19. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa.

Há 12 anos, cientistas da UP desenvolvem projetos com células-tronco mesenquimais, ou seja, células com grandes propriedade regenerativas que são encontradas nos tecidos adultos. No caso do tratamento do quadro respiratório em decorrência do coronavírus (ou não), a pesquisa inclui, no cuidado com os pacientes, células de origem odontológica (MSC-DS).

De acordo com a diretora administrativa da Curityba Biotech e professora da Universidade Positivo, Dra. Moira Leão, o método é um avanço para a saúde: “Esse estudo representa um salto muito grande na aplicação de terapias celulares do Brasil. A Legislação de Terapia Celular Avançada no país tem se consolidado graças a um esforço conjunto da ANVISA, de suas câmaras de assessoramento técnico e pesquisadores de todo o país”, afirma.

“Nosso intuito sempre foi o de prestar um serviço de qualidade e seriedade, por isso só começamos a oferecer o serviço de processamento e armazenamento para particulares após haver o devido respaldo legal”, acrescenta o professor da Universidade Positivo e diretor técnico da Curityba Biotech, Dr. João Zielak.

“Acreditamos nesta terapia e no avanço da saúde para o país, entregando esse tipo de solução. E agora é o momento, uma vez que no caso de insuficiência respiratória aguda grave, as células-tronco podem atuar no combate à inflamação e na recuperação das lesões”, aponta Zielak.

Moira Leão admite que, mesmo o custo de pesquisa com células-tronco sendo elevado, o tratamento é viável. Para ela, o custo final de uma terapia celular por indivíduo deve ser próximo ao curso de tratamentos complexos, como de uma quimioterapia, por exemplo. Por isso, haverá casos com indicação específica, nos quais o custo benefício das terapias celulares indicará se o método será viável.

Dupla ação para a cura da Covid-19

As múltiplas potencialidades das células-tronco permitem que o organismo reequilibre a capacidade das respostas imunológicas. “O vírus SARS-CoV2 induz à produção de uma tempestade de citocinas pelo organismo infectado. Tais citocinas podem danificar órgãos vitais e levar a danos irreversíveis, principalmente nos pulmões”, comenta Moira. “Mas as células-tronco podem neutralizar a ação destas citocinas, atuando como um medicamento biológico, adaptando-se às necessidades do paciente”, explica.

O projeto aprovado prevê que os pacientes recebam o tratamento de suporte padrão para a Covid-19 – e um dos grupos de pacientes recrutados para o estudo receberá as células-tronco de doadores saudáveis. Serão selecionados jovens com indicação clínica para remoção de seus dentes do siso, por exemplo, como fonte para obtenção das células-tronco mesenquimais.

“Células-tronco mesenquimais produzem substâncias anti-inflamatórias potentes, naturais, e ainda podem se transformar e substituir as células locais afetadas pela doença. Quando presentes na corrente sanguínea, as células-tronco recebem os sinais químicos da inflamação e são atraídas para o local afetado, auxiliando no reparo das lesões. No caso da Covid-19, há fortes indícios de que as células-tronco podem recuperar os alvéolos pulmonares”, diz Zielak.

Além de buscar salvar vidas, a Curityba Biotech objetiva abrir uma linha de pesquisa que visa complementar o tratamento de doenças graves e prevenir as sequelas, como a fibrose pulmonar. O projeto, orçado em 2 milhões de reais compreende a inclusão de 30 pacientes que apresentem a síndrome aguda respiratória grave, e será encaminhado para anuência da Anvisa, ao mesmo tempo que busca parcerias para o financiamento, a fim de que seja possível avançar ainda mais com a aplicação das terapias celulares no país. “Isso está no DNA do empreendimento”, conclui Moira.

fonte: Banda B https://www.bandab.com.br/saude/pesquisa-paranaense-com-celulas-tronco-aponta-tratamento-de-pacientes-com-covid-19/?fbclid=IwAR3opLFPYCbCoCeBmLhP6xg_W3ognfMVCLOXkASaiGWxarWkakSUdrEl4M4

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